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O que é necessário para ser professor de inglês?

Muitas pessoas chegam até o blog da S&D Inglês Personalizado através da seguinte pesquisa no google: “O que é necessário para dar aulas de inglês?” ou “Posso dar aulas de inglês com FCE?”  ou até mesmo “Que certificado é preciso ter para dar aulas de inglês?”.

Diante dessas perguntas eu decidi escrever esse post para falar um pouco sobre o que é necessário para ser um professor de inglês.

Primeiramente, é necessário esclarecer alguns mitos sobre professores de inglês. Vou falar sobre os dois mais comuns:

Eu morei muitos anos fora do país e falo inglês fluentemente. Isso me qualifica para dar aulas?

Não! Falar uma língua fluentemente não qualifica ninguém para dar aulas da mesma. Eu conheço centenas de falantes de português que falam muito bem o idioma, mas que não possuem a menor condição técnica de ensinar o idioma para alguém.

 É possível dar aulas de inglês sem ter morado fora do país?

Sim, definitivamente! Conheço pessoas que nunca viajaram para nenhum país de língua inglesa, mas são extremamente proficientes no idioma. Além de terem uma formação técnica e pedagógica excelente. Eu mesmo só morei em um país de língua inglesa depois de ter dado aulas de inglês por 10 anos, depois de já ter graduação em Letras (português e inglês), ter feito uma pós graduação em ensino de língua inglesa e tradução, ter sido aprovado nos testes FCE, CAE e CPE  (testes que medem a competência lingüística de falantes não nativos de inglês) da universidade de Cambridge da Inglaterra e ter sido aprovado no TKT (certificado da universidade de Cambridge que mede o conhecimento pedagógico de professores de inglês). Além de ter feito vários outros cursos para professores de inglês.

O que então é necessário para ser um bom professor de inglês?

Basicamente, um bom professor de inglês deve possuir uma boa formação lingüística, cultural e pedagógica.  É muito comum encontramos 2 extremos. Pessoas que estão dando aulas, pois moraram fora do país por algum tempo então conseguem falar inglês fluentemente. E no outro extremo temos pessoas que estão dando aulas, pois são graduadas em Letras e apesar de terem um bom conhecimento pedagógico não dominam o idioma.

Vamos analisar os dois casos:

1- No primeiro temos um professor que sabe falar a língua, mas que não tem conhecimento algum sobre ensino – aprendizagem, diferentes métodos, abordagens, processo de aquisição de línguas, fatores psicológicos envolvidos no processo no ensino – aprendizagem de línguas, inteligências múltiplas etc… Em outras palavras, temos um professor que provavelmente será contratado por alguma escola e reproduzirá o método da mesma sem muita reflexão sobre suas ações. O que chamaria de “professor papagaio”. Afinal, ele não tem conhecimento técnico suficiente para analisar e julgar as vantagens e desvantagens de cada escolha pedagógica feita em sala de aula. Por isso não me espanta que algumas escolas de idiomas tenham manuais passo a passo que o professor deve seguir na hora de ensinar. Nesse tipo de ambiente o professor não tem praticamente nenhuma autonomia pedagógica na hora de tomar suas decisões. A escola já tomou para ele, então a sua única função é reproduzir aquilo. Não se leva em consideração as características de aprendizagem individuais de cada aluno. Todos devem se encaixar no mesmo método!

2- No segundo caso temos um professor que na maioria das vezes sabe o que está fazendo e onde que chegar com cada decisão, pois tem uma boa base pedagógica. Porém, não domina a própria língua que está ensinando e isso fará com que o aluno tenha várias defasagens na sua formação como falante daquele idioma. Afinal, ter um professor que possua uma ótimo domínio do idioma ensinado é algo fundamental. Devemos nos lembrar que a maior parte dos alunos tem como referência principal o inglês de seus professores.

O que podemos concluir é que o professor de inglês ideal é aquele que apresenta  a combinação dos dois elementos citados acima, ou seja, alta competência linguística e uma formação pedagógica solida! Além é claro, de um bom conhecimento cultural!

Na realidade, a maior parte das pessoas que começam na profissão se encaixam na primeira ou segunda categoria. Contudo, todos que realmente escolhem esse caminho devem se dedicar para se tornarem professores de inglês no sentido amplo da palavra.

Infelizmente, o que vemos no Brasil são pessoas que dão aulas de inglês como uma forma de ganhar um dinheiro para pagarem suas faculdades de direito, administração de empresa etc… ou como forma de complementar a renda, ou seja, trabalham em empresas durante o dia e dão aulas de inglês a noite. Pessoas com esse perfil tendem a não levar a profissão a sério, pois ser professor de inglês para eles é algo apenas temporário.

Enquanto a mentalidade de alguns donos de escolas de idiomas não mudar sempre existirá esse tipo de profissional. Um circulo vicioso: paga-se pouco, ensina-se mal, aprende-se nada. Essa é talvez a razão principal por sermos o país com mais escolas de inglês do mundo e ainda assim termos um número de falantes de inglês  tão baixo.

  1. Gustavo
    abril 22, 2011 às 2:44 pm | #1

    Ótimo artigo… Concordo plenamente com tudo o que você escreveu Sérgio!

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